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Policial acusado de duplo homicídio em Alagoas passará por avaliação psiquiátrica

Policial que matou dois colegas em AL passará por perícia para avaliar possível surto psicótico

A Justiça alagoana decidiu que Gildate Goes Moraes Sobrinho, um policial civil acusado de assassinar dois colegas em Delmiro Gouveia, será submetido a uma avaliação psiquiátrica. O objetivo é determinar se ele estava em um possível surto psicótico durante o cometimento dos crimes. A ordem foi emitida pela 1ª Vara de Delmiro Gouveia e divulgada na última sexta-feira (4).

O exame será conduzido por um especialista do Centro Psiquiátrico Judiciário, e o laudo deverá ser apresentado em até 45 dias, podendo esse prazo ser prorrogado se necessário. Enquanto isso, o processo relacionado às acusações ficará suspenso, embora a prisão preventiva do policial permaneça em vigor. Gildate é acusado de matar os policiais civis Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira, cujos corpos foram encontrados em um veículo. As investigações indicam que Gildate estava no banco traseiro do carro e saiu a pé após os disparos.

O pedido pela perícia foi formulado pela defesa de Gildate, que alegou que há indícios de que ele pode ter sofrido um surto psicótico durante os crimes. O Ministério Público, por outro lado, se opôs ao exame, argumentando que a conduta do policial poderia estar relacionada ao consumo de álcool, o que não o isentaria de responsabilidade criminal. Contudo, a Justiça considerou que havia informações suficientes que justificavam a investigação da saúde mental do acusado.

A análise do juiz incluiu um relatório preliminar da Polícia Civil que sugeriu a possibilidade de um surto psicótico após ingestão de álcool. Além disso, depoimentos de familiares indicaram mudanças no comportamento de Gildate, como dificuldades em reconhecer ruas e relatos de que ele estava “aéreo” e “irreconhecível”. A investigação não encontrou evidências de desavenças ou motivações para os homicídios, e conversas e imagens mostraram os três policiais se socializando horas antes do acontecimento.

A Justiça ressaltou que a falta de um histórico psiquiátrico não impede a realização da perícia, que poderá identificar se o policial teve um episódio de transtorno mental. Será necessário avaliar se seu comportamento foi influenciado apenas pela embriaguez ou se houve um transtorno mental transitório que afetou sua capacidade de agir com discernimento.

Embora a perícia tenha sido autorizada, a prisão preventiva de Gildate foi mantida. A decisão da Justiça reafirma a gravidade das acusações, que envolvem duplo homicídio qualificado, e argumenta que a investigação da saúde mental do acusado não altera os motivos para sua detenção. Após a entrega do laudo, tanto o Ministério Público quanto a defesa terão um prazo de dez dias para se manifestar, e a Justiça avaliará o resultado da perícia para determinar os próximos passos no processo.

Fonte: g1

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