O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (28), um reforço significativo nas investigações relacionadas a atos de violência política registrados no último final de semana em todo o país. Foram identificados 45 incidentes, entre eles 10 homicídios, que refletem a intolerância em relação a posições eleitorais.
Essas agressões ocorreram entre o sábado (24) e a noite de domingo (25), logo após a divulgação dos resultados do segundo turno das eleições presidenciais, que consagrou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como vencedor contra Flávio Bolsonaro (PL).
Durante uma coletiva à imprensa, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, apresentou os dados ao lado de representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Ele enfatizou que “não haverá impunidade nesses casos. Isso é inadmissível. Nós vivemos um processo democrático e, como em toda eleição, um ganhou e outro perdeu. Isso não pode ser pretexto para o cometimento de crimes, para agressões. Não pode ser pretexto para assassinatos.”
Os dados fornecidos pelo governo revelam uma série alarmante de incidentes, incluindo 10 mortes, sendo três delas de indígenas, e outras formas de violência, como atropelamentos intencionais e agressões físicas. Os estados mais afetados incluem Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.
Para lidar com essa situação, o governo planeja abrir inquéritos pela Polícia Federal (PF) para investigar crimes relacionados à violência política, incluindo questões de gênero e violação de direitos humanos. Além disso, denúncias serão encaminhadas à Procuradoria Geral da República (PGR) e as corregedorias estaduais das polícias e Ministérios Públicos serão acionadas em casos que envolvam policiais.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ademar Borges, detalhou a diversidade das ocorrências, que incluem crimes eleitorais e casos de violência política de gênero. “Já há dezenas de inquéritos instaurados e estamos apurando todas as denúncias. Há casos que envolvem racismo, violência comum, homicídio e lesão corporal”, afirmou.
Além disso, o governo se comprometeu a combater a violência no ambiente digital, reforçando a aplicação do Marco Civil da Internet, que exige que plataformas de redes sociais removam conteúdo relacionado a crimes graves sem necessidade de notificação prévia.
Entre os casos mais notórios está o ataque à vereadora de Montes Claros (MG), Iara Pimentel (PT), que foi agredida durante um ato político e precisou ser socorrida. Outro incidente trágico envolveu a morte de Eliseu Pedrozo dos Santos, atropelado durante as celebrações da vitória de Lula, após um motorista embriagado avançar contra um bloqueio policial.
Esses eventos ressaltam a urgência da resposta do governo diante da escalada de violência política no país, e as medidas adotadas visam garantir que tais crimes não fiquem impunes.
Fonte: Agência Brasil


