A secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Fernanda Machiavelli, será a nova ministra da pasta nos próximos dias. Ela assume o cargo após a saída do atual ministro, Paulo Teixeira, que deixará a posição para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de outubro. A confirmação foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CNDRSS), realizada em Brasília.
“Estou tomando todo o cuidado para manter no governo as pessoas que já conhecem a máquina, facilitando assim o trabalho. Tenho certeza de que a Fernanda dará conta”, afirmou Lula. Machiavelli deverá permanecer no cargo durante os próximos nove meses do atual mandato presidencial.
Com formação em ciências sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado na mesma instituição, Fernanda Machiavelli é servidora pública de carreira, atuando como especialista em políticas públicas e gestão governamental. Desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023, ela ocupa o cargo de secretária-executiva do MDA.
No evento, o presidente fez um balanço das ações do governo na área da agricultura familiar, destacando a importância de programas voltados para o setor.
“O Desenrola Rural renegociou dívidas de 507 mil agricultores, totalizando R$ 23 bilhões. O Plano Safra já contabilizou um milhão de operações, com R$ 37 bilhões contratados, e ainda faltam um milhão de contratos a serem firmados até o final do ano”, enfatizou.
Em relação à titulação de áreas quilombolas, Lula mencionou que, durante este mandato, foram concedidos 32 títulos e assinados 60 decretos, beneficiando 10,1 mil famílias em 271 mil hectares. No que diz respeito ao Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA), o presidente informou que 234 mil famílias foram assentadas nos últimos três anos.
“É desnecessário listar tudo o que foi feito, pois a demanda é imensa. Apesar dos esforços, sempre há mais a ser realizado. É crucial compreender que a construção da vida e da sociedade em qualquer país é um processo contínuo”, ponderou.
Lula elogiou o trabalho de Teixeira à frente do MDA, qualificando-o como “dignificante e extraordinário”, e fez menção à gestão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, sob a liderança de César Aldrighi. O presidente também se dirigiu às lideranças de movimentos sociais e comunidades quilombolas presentes no evento.
“Sem vocês, não teríamos alcançado nossos objetivos. Quando discordarem de nós, não há problema. Nós somos a única alternativa que vocês têm para questionar. O único presidente que vocês podem chamar de Lula, de companheiro, sou eu. Não existe outro presidente que vocês possam tratar dessa forma”, declarou.
Desafios Atuais
Durante a conferência, Lula também comentou sobre o panorama internacional, expressando sua preocupação com o aumento de guerras e a ascensão de grupos extremistas em diversos países.
“A democracia enfrenta riscos em várias nações, com a extrema-direita ganhando força e, o mais alarmante, a escalada de conflitos armados. Hoje, estamos vivenciando o maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial, afetando quase todos os continentes”, ressaltou.
Referindo-se à soberania, Lula destacou que as terras raras e minerais críticos do Brasil, que despertam a cobiça de potências estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, pertencem ao povo brasileiro.
“Criei um conselho especial para gerenciar as terras raras e minerais críticos, assegurando nossa soberania. Neste país, somos nós que tomamos as decisões e cuidamos de nossas riquezas”, enfatizou. Lula tem abordado a importância desses recursos em discursos recentes e em eventos internacionais.
Fonte: Agência Brasil

