A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados decidiu adiar mais uma vez a análise da proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa alterar a maioridade penal no Brasil, reduzindo-a de 18 para 16 anos. Essa decisão impacta o debate em torno da responsabilidade penal de jovens infratores no país.
A reunião que tinha como pauta a discussão da PEC começou por volta das 11h, mas foi interrompida após um pedido de vista apresentado pelos deputados Sâmia Bomfim (PSOL-RJ), Érika Kokay (PT-DF), Talíria Petrone (PSOL-RJ) e Orlando Silva (PCdoB-SP). Esses parlamentares solicitaram mais tempo para analisar o conteúdo da proposta antes de qualquer deliberação.
A análise da admissibilidade da proposta já havia sido postergada na semana anterior, devido ao início da Ordem do Dia no Plenário, que interrompe as votações em outras áreas, incluindo comissões. Isso levanta questões sobre a continuidade do debate sobre a maioridade penal e a urgência de abordagens mais eficazes sobre segurança pública.
Entenda a Proposta
A proposta de redução da maioridade penal é de autoria do ex-deputado Gonzaga Patriota (PE). O relator da matéria, deputado Coronel Assis (PL-MT), já apresentou um parecer que aprova a admissibilidade da PEC, incluindo algumas emendas que visam ajustar o texto original.
Se aprovada, a nova legislação permitiria que jovens de 16 anos fossem responsabilizados criminalmente como adultos, cumprindo penas em estabelecimentos prisionais. Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que jovens que cometem delitos graves estejam sujeitos a medidas socioeducativas por até três anos.
Contexto e Números
Dados recentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que existem aproximadamente 12 mil adolescentes em unidades de internação ou em situação de privação de liberdade. Esse número representa menos de 1% da população jovem total no Brasil, conforme estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Fonte: Agência Brasil


