Um jovem de 15 anos denunciou ter sido submetido a abusos em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos chamada “Jesus te Ama”, localizada em Anadia, Alagoas. O adolescente afirmou que foi amarrado e mantido em um quarto escuro por dois dias, sem ventilação, e passou um total de cinco dias sem alimentação. A gravidade do caso veio à tona durante uma operação do Ministério Público de Alagoas (MPAL) realizada na última terça-feira (6).
De acordo com as investigações do MP, o jovem estava em uma ala destinada a adultos e foi resgatado por equipes que também encontraram outros internos que relataram experiências similares. Ao todo, cerca de 40 pessoas foram liberadas da clínica, que operava irregularmente. A fiscalização foi motivada por uma denúncia anônima, revelando um cenário de possíveis maus-tratos e cárcere privado.
O MPAL apontou diversas irregularidades no funcionamento da clínica, como a retenção de documentos e dinheiro dos pacientes, além de não ter autorização para realizar internações involuntárias. A Polícia Militar e a Polícia Civil foram acionadas, e o proprietário do local foi levado para prestar esclarecimentos. O delegado Medson Maia comentou: “Vamos abrir inquérito policial para robustecer e encaminhar para a Justiça.”
O adolescente descreveu as condições do quarto onde era mantido: “Era escuro, não tinha ventilação, e a comida era entregue através de uma fresta.” Ele compartilhou que temia relatar os abusos à sua família, pois acreditava que isso resultaria em punições mais severas. “Eu tava há cinco dias sem comer. A salsicha quando vinha era com cheiro de podre. Aqui eu tive febre, dor de cabeça, tontura. Eu tô feliz que vou voltar pra casa”, contou.
Durante a fiscalização, o MP também encontrou idosos que relataram estar sem acesso a seus cartões bancários e aposentadorias, e dois deles necessitaram de atendimento médico emergencial. A promotora Viviane Farias destacou que esta foi a segunda inspeção em menos de dois meses e que muitas irregularidades foram confirmadas. “Vamos tomar as medidas necessárias, incluindo a ação civil pública”, afirmou Farias.
A situação alarmante na clínica de Anadia evidencia a urgência de uma maior supervisão em instituições de saúde mental e reabilitação, garantindo os direitos e a segurança de todos os pacientes.
Fonte: G1


