Na última quinta-feira, uma abordagem policial surpreendeu João Vitor de Oliveira Silva, um açougueiro de 20 anos, que trabalhava em um supermercado em Patos de Minas, Minas Gerais. A Polícia Militar cumpria um mandado de prisão emitido pela Justiça de Alagoas, relacionado a um crime de abandono de incapaz que teria ocorrido em Maceió no dia 13 de fevereiro. A defesa de João Vitor argumenta que o verdadeiro autor do crime é seu irmão mais velho, que, ao ser preso, teria usado o nome do caçula.
Apesar das alegações de inocência e das tentativas de comprovar sua versão, João Vitor foi detido em 9 de outubro. Ele foi transferido para o Presídio Sebastião Satiro, onde passou quatro dias até que uma decisão judicial determinou sua libertação. O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) emitiu uma nota reconhecendo a confusão de identidade e revogou a prisão, afirmando que medidas estão sendo tomadas para localizar o verdadeiro suspeito.
Durante a detenção, João Vitor explicou à polícia que reside em Patos de Minas há mais de um ano e estava trabalhando no momento do crime. Ele também destacou que não possui filhos, ao contrário do perfil descrito no mandado, que indicava um homem casado e com crianças. Documentos apresentados por uma colega de trabalho corroboravam sua versão, mas a polícia seguiu com a prisão conforme a ordem judicial.
O advogado de defesa, Marcelo Araújo, relatou que após a prisão, João Vitor foi levado à Delegacia de Plantão e posteriormente ao presídio, onde enfrentou condições difíceis, incluindo o corte de cabelo, o que o deixou emocionalmente abalado. “O promotor reconheceu que a polícia agiu sem o cuidado necessário e prendeu a pessoa errada”, afirmou Araújo, que agora busca uma indenização pelos danos sofridos.
O crime em questão, segundo a polícia de Alagoas, envolveu a descoberta de cinco crianças sozinhas em uma casa, sem a presença de adultos. Após a prisão da mãe e do irmão de João Vitor, foi revelado que o irmão usou os dados do caçula para evitar a detenção. A defesa destaca que essa confusão de identidade foi exacerbada pela falta de verificação documental na hora da prisão.
A estratégia da defesa para a soltura de João Vitor incluiu a apresentação de provas que levantaram dúvidas sobre sua identidade em relação ao crime. As discrepâncias entre os perfis dos indivíduos envolvidos e as evidências documentais foram cruciais para a decisão judicial que resultou na revogação da prisão. O TJAL também informou que o Ministério Público tomará medidas para investigar a identificação fraudulenta.
Fonte: G1


