Carregando...

A Luta e a Fé de Mãe Neide Oyá D’Oxum: Uma História de Resistência em Alagoas

Fé, ancestralidade e resistência: a trajetória de Mãe Neide Oyá D’Oxum em Alagoas

A história de Alagoas é também marcada pela trajetória de Mãe Neide Oyá D’Oxum, uma importante ialorixá e líder comunitária, reconhecida como Patrimônio Vivo do Estado. Envolta pelo aroma do dendê e pelo som dos atabaques, Mãe Neide transforma a fé em uma forma de resistência e cuidado coletivo. “Ser mulher já é um grande desafio. Comumente falam ‘sexo frágil’, e eu digo que é o sexo forte. A gente já nasce com a força e a graça divina de gerar”, declarou à TV Asa Branca Alagoas.

Como mãe e sacerdotisa de matriz africana, Mãe Neide descreve sua trajetória como um constante enfrentamento. Ela enfatiza as dificuldades de criar filhos na periferia, sendo uma líder espiritual e Patrimônio Vivo em um Estado que ainda enfrenta a intolerância religiosa. “Criar filhos na periferia, ser de matriz africana, ser sacerdotisa e ser Patrimônio Vivo do Estado de Alagoas, numa terra marcada pela intolerância religiosa e pelo ‘Quebra’, é um desafio enorme. Eu vim com essa força feminina para vencer”, afirma.

A conexão espiritual de Mãe Neide começou na infância, quando transitava entre diferentes universos religiosos, frequentando igrejas e, de maneira discreta, cultos da jurema. Essa diversidade de experiências a fortaleceu, ajudando-a a construir um caminho baseado no respeito e na laicidade. “Essa junção de experiências a fortaleceu e contribuiu para a construção de um caminho pautado na laicidade, sem preconceitos ou racismo”, explica.

Entretanto, a intolerância religiosa deixou marcas profundas em sua vida. Mãe Neide relembra a dor de saber que sua filha escondia o sofrimento para protegê-la. “Ela dizia que eu não merecia aquilo, que nossa religião não era aquilo que falavam. Era medo, angústia. Eu cheguei a tomar remédio controlado na época”, recorda.

A cozinha, para Mãe Neide, é um espaço de conexão e ancestralidade, onde cada prato traz consigo uma história. “Quando eu sirvo um bife e digo que, ao vir para a Serra da Barriga, a pessoa não vem só para encher a barriga de alimentação, mas de cultura e história, é porque cada prato que minha ancestralidade me ensinou traz identidade”, afirma.

A Serra da Barriga, em União dos Palmares, é um local sagrado para Mãe Neide, simbolizando a resistência do Quilombo dos Palmares. Ela descreve a primeira vez que pisou naquele solo: “Serra da Barriga é vida, é cura, é alimento espiritual, é reencontro”, expressa emocionada.

O Centro de Formação Cultural Inaê, criado por Mãe Neide, é um espaço dedicado ao ensino, acolhimento e fortalecimento da comunidade afro-brasileira. O que começou com a produção de acarajé e roupas de retalho evoluiu para incluir dança e percussão. “Quando eu me dei conta, tinha mais de 60 meninos aqui dentro”, relata.

Refletindo sobre sua trajetória, Mãe Neide reconhece que seu caminho é o resultado da força coletiva de outras mulheres. “Primeiro eu peço a bênção das que vieram antes: tia Marcelina, vó Netinha, mãe Celina, minha mãe de santo. Elas não largam nossa mão. Nossa vida é sustentada através da prece, da renúncia, da dedicação e da resistência dessas grandes mulheres”, conclui.

Fonte: TV Asa Branca Alagoas

BANNER POSIÇÃO 03

Últimas notícias

Receita Federal Confisca R$ 69 Milhões em Operações Contra Contrabando

CPMI do INSS mantém quebra de sigilo de Lulinha sob supervisão de Davi Alcolumbre

Apoio da Equipe de Paulo Guedes Fortalece Flávio Bolsonaro na Política

Lula Realiza Visita à Fábrica Bionovis, Fornecedora de 19 Milhões de Produtos ao SUS

BANNER POSIÇÃO 02
BANNER POSIÇÃO 04