A Rede Justiça Criminal lançou a campanha Vote Segura, com foco na segurança das mulheres no Brasil. Em um cenário alarmante, dados de 2022 revelaram que o país registrou 1.571 feminicídios, o que equivale a aproximadamente quatro assassinatos de mulheres diariamente motivados por questões de gênero. Além disso, para cada feminicídio consumado, existem três tentativas. Essa realidade evidencia a urgência de estratégias eficazes para combater essa violência.
A campanha Vote Segura apresenta um guia com recomendações fundamentais destinadas a orientar a elaboração de políticas públicas, programas de mandato e projetos de lei que visem a proteção das mulheres. O objetivo é fomentar um debate qualificado e apoiar candidaturas que se comprometam com a redução da violência de gênero, considerando que as mulheres constituem 51,5% da população brasileira, que totaliza 213,4 milhões de habitantes.
O guia elaborado pela iniciativa contém 11 recomendações essenciais para os próximos parlamentares, entre as quais se destacam: priorizar a prevenção sem descuidar da responsabilização, estruturar políticas públicas permanentes e fortalecer a coordenação entre diferentes esferas de governo. Além disso, é fundamental promover a integração de políticas públicas e basear decisões em dados confiáveis.
A coordenadora executiva da Rede Justiça Criminal, Janine Salles de Carvalho, ressaltou a crescente preocupação das mulheres em relação à sua segurança. “Esse medo, infelizmente, também se tornou um ativo político capaz de mobilizar votos. Mas responder à insegurança não significa apostar apenas em mais polícia ou prisões. Precisamos olhar para aquilo que impede que a violência aconteça”, afirmou.
O guia ainda enfatiza a importância de adotar uma perspectiva de direitos humanos, incorporar mecanismos de monitoramento e avaliação, e promover a transparência e o controle social sobre as políticas implementadas. A iniciativa visa criar impactos mensuráveis e evitar respostas legislativas meramente simbólicas.
Fonte: Agência Brasil


