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Torcedor condenado por injúria racial em partida de futebol em Alagoas

Torcedor é condenado por injúria racial após chamar jogador de 'urubu' em jogo em AL

Um torcedor foi sentenciado a dois anos e oito meses de prisão por injúria racial contra um jogador durante uma partida em São Brás, Alagoas. O caso envolve Marcelo Batista da Silva, que ofendeu Elivan Costa Damascena, conhecido como Dinda, chamando-o de “urubu” em um momento da partida, ocorrida em 10 de maio de 2026. Embora a pena tenha sido convertida em prestação de serviços à comunidade, o réu também deverá pagar 13 dias-multa.

A condenação foi resultado de uma denúncia feita pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), através da Promotoria de Justiça de Porto Real do Colégio. A determinação judicial exige que a prestação de serviços seja realizada em uma instituição escolhida pela Justiça, com uma carga de trabalho de uma hora diária por cada dia de condenação.

O incidente se deu durante uma competição entre Miguelense Futebol Clube e Sporting Futebol Clube, que fazia parte da Série B do Campeonato Alagoano Sub-23. Conforme o MPAL, Marcelo estava situado próximo à grade que separa a torcida do campo quando proferiu os insultos raciais após uma jogada do jogador, que é negro. Dinda, que tem mais de uma década de carreira no futebol profissional, expressou ter se sentido humilhado e revelou que nunca havia enfrentado uma ofensa racial em campo.

Após ouvir os insultos, Dinda alertou o árbitro e solicitou a interrupção da partida, que foi suspensa. A Polícia Militar, presente no local, foi acionada. Durante as investigações, Marcelo confirmou ter chamado Dinda de “urubu”, mas alegou não ter notado a cor da pele do jogador até depois da ofensa. O promotor de Justiça, Alex Almeida, fundamentou a denúncia na Lei nº 7.716/1989, que foi atualizada em 2023 para tratar injúria racial como crime de racismo.

“A condenação serve de exemplo para que atitudes repulsantes como essa não se repitam, nem pelo acusado, nem por ninguém”, afirmou o promotor, ressaltando a importância de combater comportamentos discriminatórios no esporte.

Na época do incidente, a Federação Alagoana de Futebol (FAF) emitiu uma nota de repúdio, destacando que o protocolo antirracista foi seguido, com a partida interrompida e o torcedor identificado pelas autoridades. A FAF expressou solidariedade ao atleta Dinda e ao Sporting FC Teotônio, afirmando que o caso seria monitorado em colaboração com o Tribunal de Justiça Desportiva de Alagoas (TJD/AL). O Sporting FC também reiterou seu compromisso em apoiar o jogador, enfatizando que “racismo é crime. Respeito não se negocia.”

Fonte: g1

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