Carregando...

Senado Avalia Destinação de Recursos do Pré-Sal para Salvar Agricultores Endividados

Nesta quarta-feira (10), o Senado Federal irá discutir um projeto de lei que propõe a alocação de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para auxiliar agricultores endividados, cujas safras foram comprometidas por desastres climáticos. Essa proposta visa oferecer suporte financeiro em um momento crítico para o setor agropecuário.

A posição do governo é contrária à proposta do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), que não atendeu às solicitações do Ministério da Fazenda para alterações no texto original enviado pela Câmara dos Deputados.

O projeto 5.122 de 2023, que já passou pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, também prevê a utilização de recursos de outros fundos, como o de Financiamento do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO).

O especialista Iago Montalvão, do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), alertou que a aprovação do PL pode afetar negativamente o programa Minha Casa Minha Vida, que atualmente se beneficia dos recursos do Fundo do Pré-Sal.

“O fundo se tornará, por pelo menos dois anos, um subsídio ao agronegócio, o que pode inviabilizar outras políticas, como a de habitação social. Não temos clareza sobre o montante a ser alocado para quitar essas dívidas, mas isso pode comprometer qualquer outro uso que não seja voltado à educação”, ressaltou Montalvão.

Atualmente, a legislação determina que 50% dos recursos do Fundo do Pré-Sal sejam direcionados à educação, enquanto o restante é dividido entre saúde, cultura, esporte e habitação social. O Ministério das Cidades, quando consultado sobre o impacto do PL no Minha Casa Minha Vida, optou por não se manifestar sobre o assunto.

Estima-se que o Fundo do Pré-Sal tenha destinado cerca de R$ 35 bilhões ao programa de habitação entre 2025 e 2026, permitindo que a meta atual se amplie para 3 milhões de residências até o final de 2026.

Definição de Limites pelo Poder Executivo

O texto original da Câmara indicava um montante entre R$ 30 bilhões e R$ 100 bilhões para o financiamento das dívidas agrícolas. No entanto, a responsabilidade de determinar o limite de gastos foi transferida ao Poder Executivo pelo relator.

Montalvão acredita que o governo enfrentará pressão para destinar um valor significativo para o refinanciamento das dívidas dos agricultores.

“O Fundo Social se tornou uma ferramenta para situações emergenciais. Em momentos de calamidade, recorre-se a ele, e isso gera disputas por recursos que deveriam estar vinculados ao ajuste fiscal”, completou.

A Agência Brasil tentou contato com a assessoria do senador Renan Calheiros, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Histórico do Fundo Social do Pré-sal

Estabelecido em 2010, o Fundo Social do Pré-Sal foi projetado para financiar políticas públicas permanentes, mas suas atribuições foram ampliadas ao longo dos anos.

Uma medida provisória de 2025 incluiu o financiamento de políticas de habitação e ações de mitigação das mudanças climáticas, além de servir como recurso para a recuperação do Rio Grande do Sul após enchentes em 2024.

Discussão no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautou o projeto para votação, porém o governo expressou descontentamento por não ter suas demandas atendidas, conforme destacou o líder do governo, Jacques Wagner (PT-BA).

“Não conseguimos um consenso e, embora o relatório tenha incorporado algumas sugestões, ainda existem contradições com o Ministério da Fazenda. Espero que possamos retomar as negociações”, disse Wagner.

Renan Calheiros afirmou que acolheu algumas sugestões do Ministério da Fazenda, mas não todas, pois isso comprometeria a ajuda aos produtores. “Entre as sugestões do governo, acolhemos a remoção de limites globais e adotamos critérios com base em perdas em safras”, explicou.

O projeto estabelece um limite de R$ 10 milhões por beneficiário e R$ 50 milhões por associação ou cooperativa, com um prazo de pagamento de dez anos e três anos de carência.

Reação dos Ruralistas

A aprovação do projeto na CAE foi celebrada pelas principais figuras da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), que estiveram presentes na votação.

“Não fixamos um limite rígido de financiamento – pode ser R$ 30 bilhões, R$ 50 bilhões ou R$ 100 bilhões -, pois isso depende das condições financeiras e da disponibilidade de outros fundos. Não é a proposta ideal, mas é a que conseguimos”, comentou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA.

Observações do TCU

Em uma decisão de maio de 2023, o Tribunal de Contas da União (TCU) destacou o esvaziamento dos objetivos do Fundo Social e a falta de governança adequada.

“Dos R$ 146 bilhões arrecadados, em 2022 restavam apenas R$ 20 bilhões. Para o pagamento da dívida pública, foram utilizados R$ 64 bilhões entre 2021 e 2022”, informou o ministro Antonio Anastasia.

A lei aprovada em 2025 buscou remediar essas questões, de acordo com Montalvão, que apontou o desvio de recursos para a dívida pública durante o governo anterior.

“O Fundo Social foi criado para garantir que riquezas finitas, como o petróleo, sejam usadas para investimentos com resultados permanentes”, afirmou.

Montalvão também destacou que ainda existem problemas de transparência que dificultam a fiscalização do uso dos recursos do fundo.

“Hoje, conseguimos ver a receita dos royalties, mas não temos informações consolidadas sobre o patrimônio atual do fundo. Essa falta de dados é preocupante”, lamentou.

O TCU prevê que, entre 2023 e 2032, o Fundo do Pré-Sal poderá arrecadar cerca de R$ 1 trilhão, especificamente R$ 968 bilhões.

Fonte: Agência Brasil

BANNER POSIÇÃO 03

Últimas notícias

Flávio Bolsonaro exerce função de advogado no dia da votação do 6×1

Protesto em Brasília: Ativistas Reagem à Decisão de Mendonça no TSE

Gilmar Mendes Desconsidera Queixa de Calúnia do Vice de Flávio Contra Acusadores

Entidades Civis Alertam TSE Sobre Riscos de Censura nas Redes Sociais

BANNER POSIÇÃO 02
BANNER POSIÇÃO 04