A recente elevação da taxa Selic para 15% trouxe à tona reflexões sobre a dinâmica econômica do Brasil. O economista Ladislau Dowbor, que já atuou como consultor da ONU, destaca que “as pessoas têm imensa dificuldade em entender grandes números”. Em sua análise, ele sugere que a rentabilidade exorbitante de certas fortunas está diretamente ligada a essa taxa de juros elevada, permitindo que alguns indivíduos acumulem lucros consideráveis sem a necessidade de gerar bens ou serviços.
Dowbor enfatiza que a discrepância entre a produção real e os ganhos financeiros é alarmante. “É uma situação em que o capital se multiplica sem que haja um correspondente aumento na produção”, explica. Ele alerta que essa realidade pode intensificar as desigualdades sociais e econômicas no país, uma vez que os rendimentos desproporcionais beneficiam apenas uma fração da população.
O economista ainda aponta que, enquanto a Selic se mantém nesse patamar elevado, a possibilidade de crescimento sustentável e inclusivo se torna cada vez mais distante. “Sem medidas que promovam a equidade e a justiça econômica, seguiremos em um ciclo vicioso”, conclui Dowbor. A discussão sobre a taxa de juros e seus impactos na economia brasileira continua a ser um tema crucial entre especialistas e a sociedade.
Fonte: Folha de S.Paulo

