Até cerca de um ano atrás, um adolescente de 14 anos, identificado apenas como X. para preservar sua identidade, nunca havia estado na região da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Morador da Baixada Fluminense, ele não tinha qualquer contato com os complexos da Penha e do Alemão até que começou a interagir com perfis ligados a grupos criminosos nas redes sociais.
Segundo familiares, tudo começou quando o jovem passou a curtir e acompanhar publicações de pessoas associadas a uma organização armada que atua nas comunidades locais. A partir dessas interações, ele se aproximou de membros do grupo e, pouco tempo depois, passou a circular com frequência por algumas das 26 comunidades da área.
Os parentes relatam que, em pelo menos três ocasiões, viram o adolescente deixar a residência na garupa de uma motocicleta conduzida por um homem que ia buscá-lo. A família, preocupada com o comportamento recente, busca entender como ele passou a conviver com pessoas ligadas ao crime organizado.
O caso acende um alerta sobre o recrutamento de menores por facções criminosas a partir do ambiente virtual, onde interações aparentemente inofensivas podem abrir portas para aproximações perigosas. As autoridades acompanham situações semelhantes com atenção, devido ao risco de aliciamento de adolescentes.


