Ao longo de quase 30 anos, a professora Elaine Pimentel tem utilizado sua pesquisa acadêmica como uma ferramenta para promover mudanças significativas no sistema prisional de Alagoas. Focando em questões como o abandono de mulheres encarceradas e a transição do cárcere para a liberdade, sua atuação também foi crucial para o fechamento do manicômio judiciário no estado. Natural de Alagoas, Elaine se formou em Direito pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e encontrou na pesquisa sua verdadeira vocação. “Eu me encontrei na pesquisa, na produção de conhecimento, nos projetos de extensão”, declarou em uma entrevista à TV Asa Branca Alagoas.
Ela é a primeira mulher a liderar a Faculdade de Direito da Ufal, cargo que ocupa desde 2008 e pelo qual está em seu segundo mandato. Com um histórico acadêmico que inclui mestrado e doutorado em Sociologia, ambos pela Ufal e pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), atualmente, ela também se dedica a um pós-doutorado em instituições europeias. “Eu espero que isso seja uma porta aberta para que outras mulheres sejam e que isso inspire as estudantes a ocupar esses espaços”, afirmou Elaine, ressaltando a importância da representação feminina.
A professora Pimentel tem se destacado por sua sensibilidade em relação às desigualdades de gênero, especialmente no que diz respeito às mulheres no sistema prisional. Inspirada pela filósofa Simone de Beauvoir, ela enfatiza que “não se nasce feminista, torna-se.” Desde seus primeiros anos de graduação, Elaine tem realizado pesquisas sobre o encarceramento feminino, identificando padrões de abandono e violência que afetam essas mulheres. “O contrário não acontece. As mulheres permanecem fiéis na fila da visita para ver o companheiro preso”, observou.
Ela também critica a forma como o sistema de justiça foi historicamente construído, destacando que “todo o sistema de justiça foi preparado por homens e para homens”. Com isso, Pimentel tem se empenhado em gerar conhecimento sobre as realidades enfrentadas por essas mulheres, publicando dois livros individuais e contribuindo com cerca de 20 obras coletivas.
Além de sua atuação no sistema prisional, Elaine Pimentel é uma defensora ativa do movimento antimanicomial, tendo contribuído para o fechamento do manicômio judiciário de Alagoas, que ocorreu em 18 de agosto de 2025. “Não é só fechar e entregar para a comunidade. Essas pessoas estavam ali há 20, 30 anos. Como é voltar para as famílias?”, questionou a professora, que acompanhou de perto o processo de desinstitucionalização. Para ela, essa experiência teve um significado profundo. “Passei quase 30 anos acompanhando inaugurações de presídios. Foi a primeira vez que eu fui para um fechamento. Isso, para mim, é muito interessante.”
Fonte: TV Asa Branca Alagoas

