A Polícia Científica de Alagoas mantém esforços para localizar os familiares de 87 corpos não reclamados, sendo que 64 permanecem armazenados nos Institutos Médicos Legais (IMLs) de Maceió e Arapiraca, enquanto 23 já foram sepultados como indigentes. O objetivo das ações é garantir que os cadáveres sejam identificados antes de qualquer destinação legal.
De acordo com o perito e médico legista Felipe Porciúncula, chefe do IML Estácio de Lima, os “corpos não reclamados” incluem tanto aqueles que ainda não possuem identificação quanto os que já foram identificados, mas cujos parentes não compareceram para reivindicar. A identificação segue um protocolo científico que envolve exames de papiloscopia, odontologia legal, antropologia forense e, quando necessário, análise de DNA.
A legislação estadual e federal determina que apenas cadáveres de morte natural e não reclamados podem ser destinados a uso científico após 30 dias. Nos casos de morte violenta, os corpos devem ser sepultados, permanecendo armazenados por cerca de 30 dias para possibilitar futuras identificações.
Nos últimos dois anos, a Polícia Científica tem adotado a divulgação pública como estratégia para localizar familiares. Informações sobre vítimas identificadas são publicadas nas redes oficiais do órgão e compartilhadas com a imprensa. Caso não haja contato da família em até uma semana, o IML aciona a Coordenadoria de Pessoas Desaparecidas da Polícia Civil, que realiza cruzamentos com boletins de ocorrência registrados no Estado e em outras regiões.
Um exemplo recente é o caso de Raian de Lima Bandeira, de 31 anos, que morreu atropelado em Junqueiro em outubro de 2025. Sem parentes conhecidos na região, a divulgação pública permitiu que amigos da família identificassem a vítima e avisassem à mãe, residente em Fernando de Noronha, que entrou em contato com o IML e autorizou a liberação do corpo. Segundo relatos, Raian vivia em situação de rua e havia desaparecido anteriormente.
O delegado Ronilson Medeiros, da Coordenadoria de Pessoas Desaparecidas, reforça a importância do registro formal dos desaparecimentos e da coleta de DNA, ressaltando que muitos corpos chegam ao IML sem boletins de ocorrência, o que dificulta a identificação.
Rimsky Coelho, chefe do IML de Arapiraca, destaca que a integração entre papiloscopia, odontologia legal, antropologia e genética forense tem sido fundamental para devolver corpos às famílias e evitar sepultamentos sem identificação.
A Polícia Científica planeja ampliar campanhas de conscientização e intensificar a busca ativa para reduzir o número de cadáveres aguardando reconhecimento em Alagoas.


