Cinco policiais militares do Batalhão de Choque foram presos na semana passada acusados de furtar armas e itens de propriedade pública durante a megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, em outubro, que resultou na morte de 122 pessoas. A investigação também aponta a participação de um agente do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), que teria levado um radiotransmissor e a capa de um colete à prova de balas. As condutas foram registradas pelas câmeras corporais dos próprios policiais.
De acordo com as imagens, após a rendição de 20 suspeitos em uma residência, o sargento Silva Vieira encontrou um fuzil AK-47 próximo à pia da cozinha e comentou: “Esse aqui vai ficar pra gente”. Ele entregou a arma a outro policial, que a guardou em uma mochila, e os dois discutiram sobre como desmontá-la e escondê-la.
Em outro trecho das gravações, um policial do Bope, sem identificação visível, foi filmado pegando itens sobre uma mesa na residência. Inicialmente, ele solicitou apenas o colete sem placas de proteção, mas acabou levando também um radiotransmissor.
Segundo a promotora Allana Poubel, pelo menos dois dos policiais foram denunciados por peculato, crime que ocorre quando um servidor público se apropria de bens apreendidos durante diligências oficiais. As imagens ainda mostram os agentes subtraindo um segundo fuzil e partes de um veículo durante a operação.
O GLOBO não conseguiu localizar a defesa dos acusados até o momento. A Corregedoria da PM segue investigando o caso, que evidencia condutas ilícitas cometidas dentro de uma ação oficial da Polícia Militar.

