Um grupo de 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, expressando sua preocupação com a interferência do governo de Donald Trump nas eleições do Brasil. Os legisladores afirmam que essa intervenção pode ameaçar a aliança estratégica entre os dois países e comprometer a integridade da democracia brasileira, especialmente com as eleições presidenciais marcadas para outubro de 2026.
Na correspondência, os democratas destacam um “esforço coordenado do governo [de Donald Trump] para ameaçar nossa aliança estratégica com o Brasil e enfraquecer a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental”. Além disso, acusam a administração Trump de implementar medidas que visam garantir a vitória de Flávio Bolsonaro, um candidato de direita alinhado ao ex-presidente.
A carta menciona, entre as ações criticadas, a imposição de tarifas a produtos brasileiros, o que, segundo os parlamentares, busca evitar a condenação de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, por golpe de Estado. O ex-presidente atualmente cumpre pena de 27 anos de prisão em regime domiciliar.
Os democratas também citam a nomeação de Darren Beattie como assessor sênior para assuntos brasileiros, considerando-o um “conhecido extremista de direita e supremacista branco”. Beattie, que tentou visitar Jair Bolsonaro em março, teve sua entrada no Brasil negada.
“Em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos atuam como agentes de interferência e desestabilização, exercendo pressão diplomática, econômica e política que podem enfraquecer as instituições democráticas do país”, afirmam os parlamentares.
A correspondência ressalta que as ações do governo Trump refletem um padrão preocupante de interferência nas eleições da América Latina, mencionando casos recentes na Colômbia, Honduras e Argentina. Os legisladores pedem explicações sobre diversas ações do governo dos EUA, incluindo a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e a revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti.
Os parlamentares solicitam também que o governo dos Estados Unidos se comprometa a respeitar os resultados das eleições brasileiras e a manter relações diplomáticas normais com o candidato eleito, independentemente de quem seja.
Posição de Lula
No seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania das nações, mencionando as tentativas de influência externa sobre processos políticos, especialmente na América Latina e no Caribe. “Assistimos novamente à ingerência externa em processos eleitorais, e a divisão do mundo em zonas de influência é um gesto anacrônico”, afirmou, ao se referir a situações em países como Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.
Fonte: Agência Brasil


