Um criatório de jacarés localizado em Fernão Velho, Alagoas, permanece em estado de abandono, abrigando mais de 50 animais, mesmo após ser alvo de uma multa por maus-tratos e abandono. O local, que é monitorado por órgãos ambientais, está embargado desde 2023.
Inaugurado em 1994, o criatório recebeu autorização para criar jacarés-de-papo-amarelo, uma espécie que, na época, estava ameaçada de extinção. A proposta inicial incluía a venda da carne e, principalmente, da pele, que possui alto valor comercial. Contudo, com o tempo, a operação financeira entrou em colapso, resultando no abandono dos animais.
José Nunes, um aposentado que trabalhou no criatório, relembra: “Isso aqui antigamente era o maior criatório da América Latina. Era grande, tinha muitos jacarés.” Atualmente, os jacarés estão confinados em um lago artificial, destinado à reprodução, e não há responsáveis no local.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou o criatório em aproximadamente R$ 500 mil em 2023, devido a diversas irregularidades, incluindo maus-tratos. O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) classificou a situação como uma das maiores infrações ambientais envolvendo fauna no estado.
O IMA afirmou que o criatório continua embargado e que o caso está em trâmite judicial. Os jacarés recebem acompanhamento veterinário regular para garantir sua alimentação e saúde. Especialistas, como o herpetólogo Ubiratan Gonçalves, alertam sobre os riscos dessa situação. Ele sugere que a melhor solução seria transferir os animais para ambientes naturais controlados. “Esses animais poderiam ser transferidos para áreas adequadas, onde haveria controle natural da população, principalmente na fase inicial de desenvolvimento,” disse.
Gonçalves também enfatiza o risco de fuga dos jacarés e a possibilidade de contato com moradores da área. Apesar dos problemas, moradores locais afirmam que ainda há esforços para a manutenção básica do espaço, incluindo a alimentação dos jacarés. Enquanto o processo judicial se arrasta, os animais permanecem no criatório à espera de uma solução definitiva.
Fonte: TV Asa Branca Alagoas


