Uma jovem de 16 anos recebeu um diagnóstico incorreto de transtorno de personalidade antissocial aos 14 anos, o que gerou grande preocupação e desespero em sua família. O transtorno, catalogado sob o código F60.2 na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), foi posteriormente questionado após uma nova avaliação que revelou autismo. A mãe da adolescente, a jornalista Thaís França, expressou sua indignação em relação ao atendimento recebido em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em Maceió, onde a profissional que a atendeu não possuía o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em psiquiatria.
O transtorno de personalidade antissocial, que inclui características de psicopatia e sociopatia, é frequentemente associado a comportamentos violentos, como os de Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, condenado por diversos crimes nos anos 90. Contudo, o diagnóstico não implica que todos os afetados apresentem comportamentos semelhantes. Thaís relatou que, durante o tratamento, sua filha passou por internações e foi submetida a um extenso regime de medicamentos, o que, segundo ela, teve efeitos adversos significativos.
A mãe também destacou que a falta do RQE da médica responsável não impede um médico de atender, mas levanta questões sobre a adequação e segurança do tratamento. “Estou com uma adolescente dentro de casa, hiperssexualizada, agressiva, com irritabilidade extrema, tentando suicídio”, relatou Thaís, evidenciando as dificuldades enfrentadas pela jovem e pela família. A mudança no quadro da adolescente ocorreu após o início do acompanhamento por um profissional com a devida qualificação, que, após um período de observação, identificou autismo ao invés do transtorno previamente diagnosticado.
O diretor da Associação Alagoana de Psiquiatria, Waldacir Cunha, comentou sobre a importância de os médicos reconhecerem seus limites e encaminharem pacientes para especialistas quando necessário. Ele ressaltou que, embora um médico possa atender diversas condições, a complexidade dos casos exige que se busque apoio especializado. Cunha também orientou que pacientes e familiares consultem o Conselho Regional de Medicina para verificar a formação dos profissionais que os atendem, o que é vital para garantir um tratamento seguro e eficaz.
Em resposta à situação, a Prefeitura de Maceió afirmou que todos os médicos da rede municipal estão adequadamente registrados e habilitados a atender demandas de saúde mental, enquanto o Conselho Regional de Medicina de Alagoas esclareceu que não há denúncias relacionadas ao caso em questão e enfatizou a necessidade do RQE para que um médico se anuncie como especialista.
Fonte: G1


