No dia seguinte ao envio de um projeto de lei ao Congresso Nacional que visa limitar a jornada de trabalho a 40 horas semanais e abolir a escala 6×1, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu no Palácio do Planalto com representantes de 68 centrais sindicais. O encontro ocorreu durante a “marcha da classe trabalhadora”, realizada em Brasília, onde os dirigentes apresentaram suas reivindicações.
Durante a reunião, Lula enfatizou a importância da mobilização dos trabalhadores para garantir a aprovação da proposta de redução de jornada. “Vocês não podem abdicar da sagrada responsabilidade de vocês de lutar pelos trabalhadores que vocês representam”, declarou. O presidente também ressaltou que o atual cenário é desafiador: “Não tem tempo fácil. É sempre muito sacrifício. E cada vez que a gente manda uma coisa para aprovar no Congresso, é preciso saber que vocês têm que ajudar”, completou.
Lula homenageou Rick Azevedo, um ativista que fundou o movimento Vida Além do Trabalho e que inspirou o projeto de redução de jornada. Azevedo, que enfrentou burnout, compartilhou sua experiência: “Em 13 de setembro de 2023, eu falei: ‘chega’… Então eu postei um vídeo no TikTok revoltado e denunciando esse modelo de trabalho de seis dias consecutivos para apenas um dia de folga. E o vídeo viralizou”, lembrou.
O presidente também aproveitou a oportunidade para criticar reformas trabalhistas e previdenciárias anteriores, que, em sua visão, representam retrocessos para os trabalhadores. Ele alertou para os desafios que as centrais sindicais enfrentam, citando a possibilidade de uma reforma de trabalho semelhante à implementada na Argentina, que poderia aumentar a carga horária para 12 horas diárias.
A decisão do governo de acabar com a escala 6×1 foi bem recebida pelos representantes das centrais sindicais. Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), destacou que essa mudança pode gerar mais oportunidades de emprego: “Essa medida gera 4 milhões de empregos”, afirmou.
O presidente da CTB acrescentou que o Brasil tem potencial para desenvolver uma nova indústria focada em sustentabilidade, mas que enfrenta o desafio da pejotização, que pode prejudicar os direitos trabalhistas. Miguel Torres, da Força Sindical, também defendeu a redução da jornada, celebrando a mobilização de mais de 20 mil trabalhadores durante a marcha e afirmando que o projeto está pronto para ser implementado.
“É mais tempo para a família, para a saúde, para o lazer, para estudar e para a pessoa”, ressaltou Torres.
O coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz, explicou que as 68 reivindicações apresentadas ao presidente são voltadas para o futuro do trabalho, considerando as transformações tecnológicas que afetam diversas categorias. “Mulheres e jovens serão os mais impactados pela inteligência artificial e pela inovação tecnológica”, alertou Ganz.
Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores, defendeu a proteção dos trabalhadores de aplicativos, afirmando que a saúde e a vida dos jovens são essenciais para o futuro do Brasil. Sônia Zerino, presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), destacou a importância de incluir o combate ao feminicídio nas pautas da classe trabalhadora, enfatizando a necessidade de conscientização através da educação.
Fonte: Agência Brasil


