Um jacaré-do-papo-amarelo foi encontrado sem vida na Marginal do Riacho Piauí, em Arapiraca, Alagoas, na última quarta-feira, dia 15. O animal, que media aproximadamente 1,20 metro, havia sido avistado no dia anterior nas proximidades de uma rotatória local. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente aponta que a morte do jacaré pode ter sido causada por agressões, e investigações estão em andamento.
Fellipe Eduardo, superintendente do Meio Ambiente, expressou sua indignação, afirmando: “Acabamos de recolher o corpo do animal. Estamos bastante indignados com essa situação, e é um absurdo que isso tenha acontecido.” A secretaria confirmou que o jacaré apresentava um focinho cortado e várias lesões, o que reforça a hipótese de que foi vítima de violência. Uma força-tarefa, composta por agentes ambientais, Guarda Municipal e Polícia Militar, já iniciou a apuração do caso.
A população foi alertada sobre a importância de proteger a fauna local e de denunciar qualquer crime ambiental às autoridades competentes. O órgão responsável pela gestão ambiental ressaltou que continuará a monitorar a área e buscar a responsabilização dos envolvidos na agressão ao animal.
A presença de jacarés na área urbana de Arapiraca é um fenômeno relativamente recente. “Apesar da vasta distribuição da espécie no Brasil, os registros na cidade têm cerca de 10 anos. Não há evidências históricas que confirmem essa presença antes disso”, explicou o superintendente. Ele também mencionou relatos sobre a possível fuga de jacarés de um criadouro clandestino para o Rio Piauí, mas sem confirmação oficial.
O jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris) é classificado como “pouco preocupante” em termos de risco de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), devido à sua ampla distribuição e facilidade de reprodução. Embora a área onde esses jacarés habitam não seja uma unidade de conservação, ela é reconhecida como Área de Preservação Permanente (APP), o que confere certa proteção legal.
Uma proposta para transformar a região em um Refúgio de Vida Silvestre foi discutida em 2024, mas não avançou devido a questões técnicas e falta de apoio popular. O superintendente enfatizou a importância da educação ambiental e da fiscalização para evitar interações entre humanos e jacarés, além de monitorar a população local. “Precisamos entender melhor o tamanho dessa população e sua origem”, concluiu, ressaltando que, caso haja isolamento genético, pode ser necessário promover a troca com jacarés de outras áreas para preservar a diversidade genética.
Fonte: G1


