José Ricardo dos Santos recebeu uma sentença de 29 anos, oito meses e 16 dias de prisão em regime fechado, após ser considerado culpado pelo feminicídio da professora Cenira Angélica Ventura da Silva, de 39 anos. O crime, que chocou a comunidade de Viçosa, ocorreu em março de 2018, quando a docente foi brutalmente assassinada com 37 facadas.
O julgamento, realizado no Fórum Desembargador Oscar Tenório, contou com a atuação do promotor de Justiça Gustavo Arns e do assistente de acusação Mozart Costa. Durante o processo, o júri reconheceu qualificadoras como motivo fútil, recurso que dificultou a defesa da vítima e a natureza de feminicídio do crime.
José Ricardo, que participou do julgamento por videoconferência, negou a acusação e alegou que um invasor teria cometido o crime. Ele afirmou que no dia do assassinato, Cenira recebeu uma ligação e disse a quem estava do outro lado: “Não venha hoje, porque ele está aqui”. O réu também relatou que deixou a casa da vítima enquanto ela tomava banho, mas suas respostas foram contraditórias durante o interrogatório.
Após o crime, José Ricardo fugiu e foi capturado apenas em dezembro de 2023, em Mato Grosso. A defesa tentou alegar que não havia provas concretas que o ligassem ao feminicídio e que um primo, que morreu antes do julgamento, poderia ter sido uma testemunha crucial.
O irmão da vítima, Alexandre Henrique Ventura, prestou depoimento e descreveu Cenira como uma pessoa amável e generosa. Ele também revelou que a família tinha preocupações sobre o comportamento possessivo de José Ricardo, que havia sido desaprovado pela mãe da professora.
Durante a réplica, o promotor Gustavo Arns enfatizou a falta de remorso do réu, que, ao ser questionado sobre a morte de Cenira, respondeu enquanto ria. “Os senhores viram que ele riu quando perguntei se sentiu a morte da vítima, e isso é uma construção de certeza”, afirmou Arns, ressaltando a gravidade da situação.
Após a condenação, a Justiça decidiu que José Ricardo deve ser transferido para Alagoas, onde cumprirá sua pena por feminicídio.
Fonte: G1


