A capital alagoana de Maceió se destacou nas eleições de 2026, sendo a única do Nordeste onde Flávio Bolsonaro (PL) superou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. Este resultado não é uma novidade, já que, nas eleições de 2022, Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, também venceu Lula na mesma cidade. No último pleito, Flávio obteve 52,37% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 41,08%. Em contraste, nas demais capitais nordestinas, Lula foi o vencedor.
Em comparação ao primeiro turno de 2022, ambos os candidatos aumentaram seu percentual de votos em Maceió, mas o crescimento do bolsonarismo foi mais expressivo. Quatro anos atrás, Jair tinha 49,59% e Lula 40,43%. Agora, Flávio cresceu 2,78 pontos percentuais em relação à votação do pai, enquanto Lula teve um avanço modesto de 0,65 pontos.
No panorama estadual, no entanto, a situação é diferente. Considerando todos os municípios de Alagoas, Lula obteve 54,73% dos votos válidos, enquanto Flávio ficou com 40,45%. Apesar disso, Alagoas foi o estado nordestino com a menor diferença entre os dois candidatos. No cenário nacional, Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 45,16%. Como nenhum candidato atingiu 50%, um segundo turno será realizado no dia 25 de outubro.
A votação em Maceió é um fenômeno que intriga analistas. O cientista político Ranulfo Paranhos, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), sugere que a falta de uma forte tradição do PT na capital pode explicar essa discrepância. “Maceió não tem o PT como uma referência político-partidária”, afirmou Paranhos, ressaltando que o partido nunca se consolidou como uma força política predominante na cidade.
Além disso, a estrutura política de Alagoas é historicamente dominada por grupos como o MDB e o PSDB, que não têm vínculo direto com a esquerda. Essa configuração política permite que candidatos como Flávio Bolsonaro se destaquem em um cenário onde o PT não possui a mesma força que em outras regiões nordestinas.
Outro fator relevante é a trajetória política de JHC, ex-prefeito de Maceió, que, embora tenha pertencido ao PL, optou por não se associar abertamente a nenhuma das campanhas presidenciais. Para Paranhos, isso mostra uma continuidade da herança política da direita na capital. “Não temos grupos de elites ligados ao PT em Alagoas”, conclui o professor.
A singularidade de Maceió como uma capital que consistentemente favorece a família Bolsonaro se reafirma nas eleições de 2026. Essa tendência já havia sido observada em 2018, quando Jair Bolsonaro foi o candidato mais votado na cidade, um padrão que se consolidou nas eleições subsequentes. Assim, Maceió se mantém como uma exceção no contexto político nordestino.
Fonte: G1


