No último dia 25, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a importância da educação como um mecanismo essencial para a formação de uma consciência crítica e a redução das desigualdades sociais. Durante a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, realizado no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), Lula destacou que essa visão é muitas vezes desafiada pela extrema direita, que enxerga a educação como uma ameaça.
O evento, promovido pela Association of African Universities (AAU), reuniu representantes de instituições de ensino superior de diversas nações africanas e brasileiras.
Em seu discurso, o presidente recordou a recente Cúpula de Líderes Celac-África, onde foram delineados cinco eixos fundamentais para fortalecer as relações entre os países participantes. Ele reiterou que a educação é a chave para enfrentar esses desafios, que incluem a luta contra a fome e a mudança climática, além da democratização da inteligência artificial.
“A extrema direita teme a educação porque sabe que é através dela que as pessoas se tornam conscientes da sua realidade”, afirmou Lula, indicando que este conhecimento é um fator de empoderamento social.
“Por isso, em várias partes do mundo, a extrema direita não tolera a autonomia das universidades. Querem calar professores e estudantes e coibir a diversidade. Negam a ciência, censuram as artes e transformam as salas de aula em instrumento de dominação”, declarou o presidente ao ressaltar o poder transformador da educação.
Lula também ressaltou a importância da educação no avanço científico e tecnológico das nações, sublinhando a relevância da Inteligência Artificial (IA) como uma ferramenta estratégica.
“O colonialismo digital é uma ameaça real e imediata. Nas mãos de poucos países e empresas, os algoritmos se tornaram instrumentos de dominação. Sem investimentos em infraestrutura digital, será impossível superar as carências em alta tecnologia, saúde e educação básica”, argumentou, defendendo que as tecnologias de IA sejam desenvolvidas também nas línguas africanas.
O presidente anunciou que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê um financiamento de US$ 30 milhões para projetos conjuntos com países africanos e da América Latina.
“Serão US$ 20 milhões para projetos colaborativos e US$ 10 milhões para utilizar a infraestrutura brasileira de Inteligência Artificial em parceria com nossos pesquisadores”, complementou.
Olusola Oyewle, secretário-geral da Associação de Universidades Africanas, destacou que a colaboração do Brasil com as universidades africanas começou no primeiro mandato de Lula, mas que ainda há muito a ser feito. “O Brasil apoia a capacitação das nossas universidades há vários anos. Começou com bolsas de estudo e evoluiu para colaborações em pesquisas”, disse.
Durante o fórum, foram firmados acordos do programa Capes Move África, que destinará R$ 47,4 milhões para a vinda de 2,6 mil pós-graduandos africanos ao Brasil a partir de 2027.
Desse total, 1,6 mil bolsas serão para mestrado sanduíche e 1 mil para doutorado sanduíche.
O fórum visa fortalecer a educação superior como o eixo central das relações entre o Brasil e os países africanos, promovendo uma plataforma para ampliar a integração acadêmica e científica.
Estão programados painéis temáticos, reuniões bilaterais, workshops e sessões para fomentar novas parcerias universitárias. O objetivo é aprofundar as colaborações e intercâmbios com instituições africanas, promovendo acordos institucionais e programas de mobilidade estudantil em áreas estratégicas como agricultura, energias renováveis e ciências humanas.
Atualmente, o Brasil está envolvido em 235 acordos de cooperação com instituições de ensino superior de 38 países africanos.
Fonte: Agência Brasil


