O curta-metragem “Futuro Decadance”, que retrata a vibrante cena queer de Maceió, foi reconhecido no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, recebendo três Troféus Candango. O filme, que tem duração de 21 minutos, destaca a vida noturna da capital alagoana na década de 1990, abordando temas como memória e arte, com um enfoque especial na cultura queer local. A produção é assinada por Marina Bonifácio e Leviathan, que também é a diretora e roteirista do projeto.
Na premiação, o curta se destacou nas categorias de melhor atriz, melhor figurino e melhor montagem, com a atuação de Leviathan sendo o grande destaque. “A gente passeia pelas memórias dessas figuras que foram essenciais para construir um imaginário clubber e queer alagoano nos anos 90”, explicou Marina Bonifácio sobre a conexão entre os personagens e a cena cultural da época.
A trama gira em torno de A Viajante, interpretada por Seven Colby, que se vê em uma corrida contra o tempo para conseguir um ingresso e chegar a uma festa. Sua jornada a leva a relembrar figuras icônicas da noite maceioense, como o DJ Bacana e a artista transformista Bárbara Nagman. Segundo Marina, o filme vai além de uma simples crônica de festas, explorando a complexidade de ser artista em Maceió.
Durante a produção, que levou cerca de três anos, Marina e Leviathan buscaram criar um filme autêntico que refletisse as pesquisas sobre a cultura clubber já desenvolvidas por Leviathan. “Eu queria muito ter a oportunidade de colocar algum filme com a nossa carinha no mundo”, destacou Marina sobre a motivação por trás do projeto.
Leviathan, que também é drag queen e produtora cultural, desempenhou múltiplas funções no curta, incluindo direção, roteiro e montagem. Sua dedicação foi reconhecida na Mostra Competitiva Nacional de Curtas, onde recebeu os Troféus Candango. “Foi muito feliz perceber que os aspectos em que a gente mais se empenhou cresceram na tela a ponto de o júri decidir premiar”, afirmou Marina.
Após sua estreia em Brasília, “Futuro Decadance” seguirá seu caminho por festivais nacionais e internacionais, com o intuito de aumentar a visibilidade da produção alagoana. O filme já teve uma pré-estreia em julho, durante a programação do Ateliê Xica Manicongo de Cinema em Alagoas, e a equipe planeja expandir as oportunidades de exibição.
Marina Bonifácio acredita que o reconhecimento no Festival de Brasília é um passo significativo para o fortalecimento do cinema alagoano. “A excelência a gente já está trazendo”, concluiu, otimizando as expectativas para um futuro promissor para a produção audiovisual do estado.
Fonte: g1


