O relatório conclusivo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS sugere o indiciamento de 216 indivíduos, acusados de participarem de um esquema de descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas. O documento, que possui mais de 4 mil páginas, foi iniciado a leitura nesta sexta-feira (27) e traz à tona uma série de nomes envolvidos na operação fraudulenta.
Dentre os mencionados, destacam-se Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti, além de ex-ministros e ex-dirigentes do INSS. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), apresentou o relatório após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar a prorrogação dos trabalhos da CPMI.
O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que, após a leitura do relatório, haverá um intervalo de uma hora para pedidos de vista antes que o texto seja submetido à votação. “Após a leitura, cada deputado e senador terá 10 minutos para debate antes da votação do relatório de Alfredo Gaspar”, afirmou Viana.
A responsabilidade pela acusação dos 216 indiciados depende agora do Ministério Público, que deve formalizar a denúncia e encaminhá-la à Justiça. Se aceitas, as denúncias poderão transformar os citados em réus pelos delitos sugeridos pela CPMI.
Principais indiciados e suas ligações
Entre os principais indiciados, Antônio Carlos Camilo Antunes se destaca como líder do esquema, sendo acompanhado por sua esposa e filho, Tânia Carvalho dos Santos e Romeu Carvalho Antunes. Maurício Camisotti é apontado como operador do esquema fraudulento.
Além deles, os ex-ministros da Previdência José Carlos Oliveira e Carlos Lupi, e ex-presidentes do INSS, como Alessandro Antônio Stefanutto e Glauco André Fonseca Wamburg, também estão na lista. O relatório ainda menciona servidores do INSS e outros envolvidos que desempenharam papéis significativos na operação.
Entre os nomes citados estão o ex-procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e sua esposa, bem como executivos de instituições financeiras como o Banco C6 e o PicPay Bank. O documento ainda pede o indiciamento de figuras políticas, incluindo o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As acusações variam entre uma ampla gama de crimes, incluindo organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, entre outros. A CPMI enfatiza a gravidade das infrações e a necessidade de responsabilização dos envolvidos.
A Agência Brasil está em contato com as defesas dos citados e permanece aberta a quaisquer manifestações.
Fonte: Agência Brasil

