A Polícia Federal (PF) divulgou novos detalhes sobre a investigação relacionada ao colapso do solo em Maceió, revelando que a Salgema, precursora da Braskem, tinha conhecimento dos riscos de afundamento desde 1988. Documentos analisados pelo g1 indicam que laudos periciais embasaram a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra ex-executivos e técnicos envolvidos na exploração mineral, que levou à evacuação de cinco bairros da capital alagoana: Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol.
A Braskem expressou sua solidariedade às comunidades afetadas e reiterou que sempre atuou de acordo com as normas do setor. Em 1986, estudos técnicos já apontavam para a possibilidade de subsidência, sugerindo ações para prevenir danos na superfície. Registros de vibrações causadas por desmoronamentos em cavidades subterrâneas foram identificados no mesmo ano, e novos alertas foram emitidos em 1989 sobre os riscos de crateras e bacias de subsidência.
A análise da PF mostra que os primeiros sinais de afundamento começaram a ser detectados no final da década de 1990, enquanto a empresa insistia que não havia indícios de acomodação do solo. Em 2003, a Braskem já possuía dados que evidenciavam alterações significativas no relevo, mas continuou a negar a gravidade da situação. Essa sequência de omissões pode ter ocultado a seriedade do problema por mais de dez anos, com a crise se tornando evidente apenas em 2018, após tremores e rachaduras nos imóveis.
Um laudo da PF, finalizado em 2024, classificou os danos decorrentes das atividades de mineração como irreversíveis e significativos, declarando que partes das áreas afetadas estão permanentemente impróprias para habitação. A denúncia do MPF ressalta que os indícios de afundamento foram desconsiderados por décadas, antes da evacuação forçada de milhares de pessoas.
O sal-gema, mineral extraído em profundidades superiores a mil metros, é utilizado na indústria química para a produção de diversos produtos, como cloro e bicarbonato de sódio. A Braskem, que surgiu em 2002 a partir da fusão de várias empresas, tem enfrentado críticas severas desde que a mineração na região começou a ser associada a problemas estruturais graves em Maceió.
A empresa anunciou o fechamento definitivo das minas em 2019 e iniciou um programa de compensação para os moradores afetados. No entanto, muitos ainda contestam os valores oferecidos. Em 2023, novos tremores causaram o colapso de parte da mina 18, mas a situação foi controlada. A Braskem reconheceu sua responsabilidade em audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, com a Defensoria Pública de Alagoas buscando R$ 4 bilhões em indenizações para os moradores prejudicados.
Fonte: g1


