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Aumento de Mortes por Drogas e Álcool em Alagoas Durante a Pandemia: Estudo Revela Dados Alarmantes

Alagoas registra aumento nas mortes por álcool e drogas durante a pandemia, aponta estudo

As estatísticas sobre mortes relacionadas ao uso de álcool e drogas em Alagoas mostram um aumento significativo durante os três primeiros anos da pandemia de covid-19. A pesquisa, realizada por acadêmicos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) no Campus Arapiraca, revelou que em 2020, o estado registrou 532 óbitos, representando uma elevação de 16,3% em comparação à média anual de 457 mortes dos cinco anos anteriores. Em 2021, o número de mortes foi de 475, com um crescimento de 3,1% em relação à média histórica. Já em 2022, foram contabilizadas 467 mortes, um aumento de 2,7% em relação ao período anterior à pandemia.

O estudo, que analisou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) entre 2015 e 2022, foi publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas e coordenado pelo professor Márcio Bezerra-Santos, do Complexo de Ciências Médicas e de Enfermagem da Ufal. O professor explicou que as circunstâncias da pandemia, incluindo o isolamento social e as crises sanitária e econômica, podem ter contribuído para esses números alarmantes.

“Em Alagoas, a gente observou o maior percentual de crescimento no primeiro ano da pandemia, em 2020, com aumento de 16,3%. Nos anos seguintes, os percentuais continuaram crescendo, ainda que em ritmo menor, mas permanecendo acima da média histórica”, detalhou o professor.

A pesquisa também destacou que as regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil foram as que apresentaram os maiores aumentos proporcionais durante os primeiros anos da pandemia, com o Nordeste registrando um crescimento expressivo em 2021. Além disso, o estudo identificou um aumento nas taxas de mortalidade tanto entre homens quanto entre mulheres, embora o crescimento proporcional tenha sido mais acentuado entre o sexo feminino.

Em relação às faixas etárias, os dados mostraram que os jovens entre 20 e 39 anos e os idosos com 60 anos ou mais foram os mais afetados. As análises de séries temporais demonstraram uma mudança significativa nos padrões de mortalidade a partir de março de 2020, quando a pandemia foi oficialmente declarada.

O professor Márcio enfatizou a urgência de implementar políticas públicas que abordem a saúde mental e a redução dos danos causados pelo uso de substâncias. “Os dados são um alerta urgente para a necessidade de implementação de políticas públicas voltadas à saúde mental e à redução de danos causados pelo uso dessas substâncias, inclusive em períodos de crise sanitária”, ressaltou.

Apesar das dificuldades em relação a possíveis subnotificações e falhas no registro dos dados no SIM, os pesquisadores consideram que os resultados são consistentes e indicam uma epidemia colateral relacionada aos impactos sociais e econômicos da pandemia.

Fonte: g1

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