O artesão Cláudio Henrique Freire da Silva, de 33 anos, natural de Capela e residente em Pilar, se destaca pela criação de minúsculas esculturas em cerâmica que impressionam pela riqueza de detalhes. Suas obras, que frequentemente possuem apenas 2 centímetros de altura, são verdadeiros retratos do cotidiano nordestino e relembram brincadeiras da sua infância.
Conhecido na região como “Cláudio das Miniaturas”, ele começou sua jornada artística na adolescência, inspirado por seu tio, o mestre João das Alagoas, um Patrimônio Vivo do Estado. “Eu ficava observando pela janela, mas nunca tive coragem de pedir para aprender”, relembra Cláudio em uma entrevista à TV Asa Branca Alagoas.
A virada em sua carreira aconteceu quando ele começou a auxiliar o tio no preparo do barro, o que o permitiu aprender as técnicas de modelagem e produzir suas primeiras peças, inicialmente em tamanhos maiores. Com o tempo, Cláudio decidiu experimentar novas proporções e, em 2011, após visitar uma exposição de presépios em Maceió, se inspirou em esculturas elaboradas com palitos de fósforo. Assim, testou o uso do barro e foi reduzindo gradualmente o tamanho de suas criações.
Esse novo caminho trouxe reconhecimento e suas miniaturas, que retratam trabalhadores rurais e brincadeiras populares, como soltar pião e empinar pipa, começaram a atrair admiradores. “São lembranças da minha infância que consigo expressar através da arte”, comenta Cláudio.
As obras do artesão têm alcançado um público internacional, com exposições em países como China, Inglaterra e Rússia, levando a arte do interior de Alagoas para o mundo. O trabalho não é apenas uma atividade individual; envolve também sua família. Sua esposa, Jéssica Carolayne Lourenço, contribui na pintura e montagem das peças, enquanto seu filho, Pedro Henrique, de 6 anos, participa ativamente do dia a dia no ateliê. “É muito gratificante poder ajudar e sobreviver do barro”, afirma Jéssica.
Cláudio dedica mais de 12 horas diárias ao seu ofício, entre modelagem, pintura e queima das peças. Para ele, cada miniatura não é apenas uma obra de arte, mas uma forma de preservar memórias e contar histórias. “Sou um contador de histórias. Consigo construir a minha história através do barro, sem ser no papel, mas através da massa feita com o barro”, finaliza.
Fonte: TV Asa Branca Alagoas


