Um pedreiro de 45 anos, Edson Ferreira da Silva, natural de Arapiraca, passou por uma experiência angustiante após ser preso por engano. A detenção ocorreu em 26 de fevereiro deste ano, quando Edson foi confundido com um suspeito de agredir uma mulher em Nossa Senhora do Socorro, Sergipe, a mais de 250 km de sua cidade. Segundo ele, “eu estava no meu trabalho e foram me buscar. Me levaram para a Central [de Polícia], me algemaram e fui levado para a Casa de Custódia, onde passei um dia e meio preso. Só fazia chorar, orar e pedir um milagre a Deus”.
O advogado Ramoney Marques, que representa Edson, esclareceu que a prisão preventiva foi determinada por um mandado emitido pela 1ª Vara Criminal de Nossa Senhora do Socorro em 4 de julho de 2023. Embora tenha sido libertado após a concessão de um habeas corpus pelo Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ-SE), Edson relatou que a experiência deixou marcas emocionais profundas. “Hoje eu tô morrendo de vergonha e até [crise de] ansiedade eu estou tendo. Eu fui trabalhar, mas não aguentei, porque deu aquela ansiedade e eu tive que voltar para casa”, disse ele.
O caso levanta questões sobre falhas no sistema judiciário. De acordo com o advogado, o Ministério Público apresentou uma denúncia utilizando o CPF de Edson, mesmo sem que seu nome estivesse no inquérito policial. Em julho de 2023, um mandado de prisão preventiva foi registrado no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A defesa também revelou que, em março de 2025, a denúncia foi rejeitada pela Justiça devido a “qualificação insuficiente, assinaturas divergentes e fortes indícios de homonímia”.
O TJ-SE, em junho de 2025, negou o recurso do Ministério Público de Sergipe por unanimidade, reconhecendo que havia “fortes indícios de pessoa diversa e que o citado na ação estava trabalhando em Arapiraca no dia do crime”. O advogado Ramoney comentou: “Ver um homem trabalhador, sem nenhuma passagem pela polícia ser preso, por um erro que o próprio Judiciário já tinha reconhecido, pesa bastante. Apesar de ter a prova do engano nas mãos, ainda tivemos que brigar para soltar um inocente”.
O g1 buscou informações junto ao Ministério Público de Sergipe para entender por que o CPF de Edson foi incluído no processo, e a assessoria afirmou que irá investigar a denúncia.
Fonte: g1

