No evento da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizado em Nova Délhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou, nesta quinta-feira (19), a necessidade de um modelo de governança global para a inteligência artificial, defendendo que a Organização das Nações Unidas (ONU) deve assumir a liderança nesse processo. Lula destacou a importância de um controle eficaz diante do avanço acelerado da Quarta Revolução Industrial.
“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas,” afirmou o presidente.
Durante seu discurso, o presidente também mencionou a proposta da China para a criação de uma organização internacional voltada à cooperação em inteligência artificial, com atenção especial para os países em desenvolvimento. Ele ainda se referiu à Parceria Global em Inteligência Artificial, que está sendo desenvolvida pelo G7, sob as presidências do Canadá e da França. No entanto, Lula enfatizou que nenhuma dessas iniciativas pode substituir a abrangência e a universalidade que a ONU pode oferecer.
“Mas nenhum desses foros substitui a universalidade das Nações Unidas para uma governança internacional da inteligência artificial que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento,” avaliou.
O presidente ressaltou que, apesar dos benefícios da revolução digital e da inteligência artificial na produtividade industrial e em diversos setores, como saúde e segurança, também existem riscos associados, incluindo a disseminação de discursos de ódio e desinformação. Ele alertou para os perigos que conteúdos falsos manipulados por IA podem trazer aos processos democráticos.
“Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital,” declarou.
“O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a Inteligência Artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países,” concluiu Lula.
Contexto da Cúpula
A Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial em Nova Délhi representa o quarto encontro da série denominada Processo de Bletchley, que abrange discussões intergovernamentais sobre segurança e governança da inteligência artificial, iniciada em Bletchley Park, no Reino Unido, em novembro de 2023.
Fonte: Agência Brasil

