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Filho de corretor assassinado relembra dor e acusa ex-prefeito durante julgamento em Marechal Deodoro

Reprodução/MPAL

O julgamento do assassinato do corretor de imóveis Gerson Gomes Vieira, ocorrido em 2015, começou nesta quarta-feira (26) no Fórum de Marechal Deodoro. O Tribunal do Júri é presidido pela juíza Fabíola Melo e tem como réu Leopoldo Cesar Amorim Pedrosa, ex-prefeito de Maribondo, apontado pelas investigações como mandante do crime.

Entre as testemunhas está Murilo Souto, policial penal e filho da vítima. Visivelmente emocionado, ele descreveu a crueldade do assassinato cometido contra o pai, cujo corpo foi encontrado dias depois em um canavial, já em avançado estado de decomposição.

Murilo relatou que Gerson intermediou a venda de um imóvel estimado em R$ 800 mil e aguardava o recebimento de uma comissão de R$ 40 mil. Ainda segundo a investigação, o valor não foi pago, e as cobranças teriam motivado Leopoldo a ordenar a morte do corretor.

O filho lembrou a angústia que vive desde o desaparecimento do pai. No dia do crime, Gerson teria ido ao encontro do ex-prefeito para acertar a dívida. Horas depois, Murilo percebeu que não conseguia mais contato com ele, e o corpo só seria localizado 15 dias mais tarde.

Durante o depoimento, o policial penal afirmou que o pai “tinha receio de Leopoldo”, citando relatos de comportamentos violentos e de episódios anteriores envolvendo drogas e agressões. A defesa tentou impedir a menção a outros processos, mas o Ministério Público argumentou que essas informações faziam parte do que a própria vítima havia relatado antes de morrer.

Leopoldo Pedrosa tem histórico de passagens pela polícia. Em 2019, foi detido por tráfico de drogas após quase um quilo de cocaína ser encontrado em sua propriedade. Ele também responde por violência doméstica, foi flagrado dirigindo sob efeito de álcool e chegou a ser preso por uso de documentos falsos. Em 2024, teve nova prisão decretada por descumprir condições do regime semiaberto durante o Carnaval de Maribondo.

Para Murilo e a família, o início do julgamento representa um passo importante após quase uma década de espera. “São dez anos carregando essa dor”, desabafou o filho, pedindo justiça pela memória do pai.

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