O Instituto do Negro de Alagoas (INEG-AL) apresentou uma denúncia ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) contra o prefeito Bruno Feijó, do PP, e o vice-prefeito Sérgio Salvador, da União. A acusação envolve supostas práticas de racismo, perseguição política e demissões de funcionários, que foram negadas pelos envolvidos. A denúncia foi protocolada na última quinta-feira, 29 de setembro, e o TRE-AL está investigando o caso.
Segundo o INEG, os gestores participaram de uma manifestação, junto a um grupo chamado “Direita de BM”, em apoio à família Bolsonaro, onde teriam ocorrido as ações denunciadas. O instituto alega que os participantes do evento pintaram o rosto de preto, uma prática conhecida como blackface, e realizaram uma encenação que reitera estereótipos racistas, similar a um vídeo que circulou na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Na performance, um homem negro, vestido com uma camiseta que trazia o nome de Lula, foi visto sendo conduzido por homens brancos. Um deles agitou um ramo de capim, o que, segundo o INEG, desumaniza a população negra e reforça preconceitos. Além disso, o instituto relatou que, um dia após a manifestação, surgiram denúncias de demissões de três apoiadores da candidatura de Lula, do PT.
A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público do Estado de Alagoas (MP-AL), ao Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT-AL) e ao Ministério Público Federal em Alagoas (MPF-AL). O MP já iniciou investigações sobre o caso, mas até o momento não houve retorno das assessorias do MPT e do MPF.
Em resposta às acusações, o prefeito Bruno Feijó divulgou uma nota em suas redes sociais, na qual refutou qualquer prática de blackface ou demissões motivadas por questões políticas. Ele explicou que o evento ocorreu durante o feriado do Dia do Servidor Público, e que os rostos foram pintados de preto como parte de uma tradição cultural local conhecida como “mela-mela”. O prefeito destacou que não houve nenhuma intenção discriminatória nas ações realizadas e que as alegações do INEG distorcem a realidade dos acontecimentos.
Fonte: g1


