Com o aumento da influência de partidos conservadores no Congresso Nacional e nas administrações estaduais, a agenda legislativa a partir de 2027 tende a se reformular, priorizando questões relacionadas à segurança pública e valores familiares. Essa análise é do economista e professor da Universidade de Brasília, Jeferson Ramos dos Santos. Ele destaca que essa nova composição política deverá refletir uma mudança significativa nas pautas abordadas pelos legisladores.
De acordo com Santos, as campanhas eleitorais nas regiões tiveram como foco temas que se mostraram relevantes, como “segurança pública, custo de vida, valores e família”. Essas questões se destacaram nas eleições de senadores, deputados estaduais e federais, além de governadores, consolidando-se como prioridades para o eleitorado.
O economista também observa que, embora a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) tenha gerado atenção na mídia, seu impacto nas votações foi limitado. “Embora tenha sido uma temática relevante, que saiu na mídia e deixou a imagem do Supremo um pouco comprometida, o STF não vai às urnas”, analisou. Santos acredita que, com a nova configuração conservadora no Senado, o STF será alvo de discussões legislativas nos próximos anos.
Outro tema em destaque é a proposta de eliminação da escala 6×1 no trabalho, que deve ser votada em breve. Santos ressalta que, com a mudança na composição do Congresso, o andamento das votações pode ser alterado. “O quadro político mudou sensivelmente. Geralmente, quando há incertezas, vemos nas casas legislativas uma postergação até que o quadro fique mais claro”, afirmou.
O professor também observou que a disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva segue acirrada, com uma diferença de apenas 2,22 milhões de votos. “Temos 2% de diferença entre os candidatos e uma abstenção recorde”, destacou. Ele acredita que essa situação torna a campanha aberta e competitiva, especialmente com o segundo turno se aproximando.
Para o especialista, o resultado da eleição presidencial influenciará diretamente a nova legislatura da Câmara e do Senado, a partir de fevereiro de 2027. “A agenda, se mais conservadora, pode caminhar menos para temas trabalhistas e, talvez, para uma agenda de valores e mais focada em segurança pública”, finalizou Jeferson Ramos dos Santos.
Fonte: Agência Brasil


