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Evangélicos Rejeitam Politização das Igrejas e Defendem Voto Independente

Evangélicos são alvo de disputa, mas rejeitam uso eleitoral de igrejas

Os evangélicos estão no epicentro de uma intensa disputa política, especialmente com as eleições de 2026 se aproximando, mas a maioria deles não vê com bons olhos a utilização das igrejas como plataformas eleitorais. O pastor Lucas Oliveira, 30 anos, de uma igreja batista em Nova Iguaçu, destaca: “O voto deveria ser do cidadão e não da religião”. Essa afirmação reflete os resultados de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest Pesquisa e Consultoria, que revela que 83% dos entrevistados desaprovam a orientação de voto por líderes religiosos e 90% são contrários a campanhas eleitorais dentro dos templos.

A pesquisa evidencia que, apesar da presença de evangélicos e católicos nas disputas eleitorais, muitos preferem manter a política fora das práticas religiosas. A pesquisadora Lívia Reis, do Iser, afirma que a influência da religião na política hoje se dá mais por meio da formação de valores e identidades do que por uma transferência direta de votos. “É mais correto falar em mediação religiosa do voto do que em transferência de votos”, diz ela.

Esse fenômeno tem gerado divisões nas comunidades religiosas, com muitos fiéis buscando formar suas próprias opiniões políticas, sem a influência direta de pastores ou padres. Lucas Oliveira observa que houve um trauma nas comunidades devido à polarização política, resultando em fiéis que se afastaram das igrejas após campanhas eleitorais intensas. “A igreja, quando o assunto é política, se tornou um lugar de pessoas machucadas”, lamenta.

O pastor Moisés Blanco, da Igreja Batista Peregrina em Natal, também nota uma reação entre os evangélicos contra a politização dos templos. Ele participa da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que se opõe ao uso político das igrejas, e ressalta que essa consciência é uma parte fundamental da tradição protestante. “Era a luta contra o absolutismo e a unificação de Estado e religião”, afirma Blanco.

A pesquisa Iser/Quaest, que entrevistou 15 mil pessoas em 412 municípios brasileiros, revela que os evangélicos representam 29% da população, com uma diversidade significativa dentro desse grupo. A Assembleia de Deus é a maior denominação, reunindo 32% dos evangélicos, seguida por outros grupos menores. Os dados também mostram que, embora o catolicismo represente metade da população, a prática religiosa se divide entre praticantes e não praticantes.

Embora os evangélicos se oponham à politização dos templos, a religião continua a influenciar o comportamento político no ambiente digital. A pesquisa indica que 66% dos entrevistados utilizam o WhatsApp para organizar comunidades religiosas online, permitindo que a mensagem política circule fora do púlpito. “As redes sociais permitem que a religião esteja na política sem passar pelo púlpito”, explica Lívia Reis.

Além disso, a pesquisa sugere que a religião não define automaticamente o voto, mas influencia a construção de identidades e valores que moldam as decisões eleitorais. Mesmo entre evangélicos, há uma ampla diversidade de opiniões sobre temas sociais e políticos, desafiando a ideia de que a identidade evangélica está automaticamente ligada a posições conservadoras. “Essa diferença entre conservador e progressista se trata de duas faces da mesma moeda”, conclui Lucas Oliveira.

Fonte: Agência Brasil

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