A candidata à presidência, Samara Martins, do partido Unidade Popular (UP), apresentou seu programa de governo intitulado Unidade Popular pelo Socialismo, que busca uma reformulação abrangente do sistema econômico e político brasileiro. O documento enfatiza a necessidade de combater as desigualdades inerentes ao capitalismo e visa a construção de uma sociedade socialista. “O Brasil é um dos países mais ricos do mundo, mas o povo vive na pobreza. Essa desigualdade não é natural”, afirma o programa, que critica abertamente a economia de mercado e sugere mudanças significativas.
O programa, que pode ser acessado na íntegra, propõe a elevação imediata do salário mínimo em 100%, o que resultaria em um novo valor de R$ 3.242. Além disso, a candidata defende a transição da jornada de trabalho de 6×1 para 4×3, garantindo emprego para todos os adultos que possam trabalhar. “Defendemos que saúde, educação, água, energia, saneamento, moradia, transporte, cultura e comunicação sejam direitos, e não mercadorias”, complementa o texto.
Propostas econômicas e sociais
A UP também se compromete a combater todas as formas de exploração, incluindo racismo e machismo, e a proteger os direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais. Com um documento de 67 páginas organizado em 18 eixos temáticos, o programa aborda a questão da dívida pública, propondo sua suspensão e a realização de uma auditoria cidadã, redirecionando esses recursos para políticas sociais.
Além disso, a proposta inclui a nacionalização dos bancos e a estatização do sistema financeiro, com fusão das instituições sob controle estatal. O programa sugere ainda o fim da autonomia do Banco Central, vinculando suas decisões às diretrizes governamentais para promover o desenvolvimento social.
Direitos e igualdade
Entre as medidas voltadas para direitos humanos, a candidatura de Samara Martins propõe a criminalização da misoginia e a ampliação das redes de atendimento às mulheres, além da igualdade salarial. O plano também aborda a titulação de terras indígenas e quilombolas, e a realização de uma ampla reforma agrária, visando à “nacionalização da terra”.
No que tange à segurança pública, a UP propõe a desmilitarização das polícias e a reorganização das carreiras policiais. O programa ainda sugere a eleição direta de juízes e uma reforma no sistema penitenciário, visando um modelo de justiça mais equitativo e acessível.
Em termos de comunicação, a proposta inclui a estatização dos monopólios de TV e rádio, além do apoio à imprensa comunitária. As políticas culturais priorizariam o incentivo à cultura popular e a nacionalização de grandes gravadoras e produtoras cinematográficas.
Fonte: Agência Brasil


