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Fenômeno do Caminho de Moisés em Maragogi: Entenda a Magia que Revela o Mar

Caminho de Moisés: entenda fenômeno que 'abre' mar em Maragogi (AL)

Em Maragogi, localizado no Litoral Norte de Alagoas, um intrigante fenômeno natural atrai a atenção de turistas: a aparição de uma faixa de areia durante a maré baixa, que desaparece com a subida das águas. Conhecido como Caminho de Moisés, esse espetáculo acontece na Praia de Barra Grande e se tornou um atrativo imperdível na região. O nome é uma alusão à passagem bíblica em que Moisés divide o mar, permitindo a travessia de seu povo. No entanto, o fenômeno é resultado da dinâmica das marés e da presença de um banco de areia.

“É um espetáculo observar aquele mar esplêndido e, à medida que a maré recua, ver surgir um caminho, uma faixa de areia branca rodeada por diferentes tons de azul”, relata Juliana Alves, guia turística com 27 anos de experiência. Ela explica que a denominação popular surgiu durante a pandemia de Covid-19, por meio de relatos de pescadores e moradores locais, tornando-se um símbolo da região.

O banco de areia que compõe o Caminho de Moisés estende-se por dois a três quilômetros e está situado em uma praia pública, com acesso gratuito. Para aproveitar essa experiência de forma segura, é essencial um planejamento adequado.

Dicas para uma visita ao Caminho de Moisés incluem: verificar a tábua de marés, preferindo momentos em que a maré está entre 0,0 e 0,2 metros; iniciar a caminhada com antecedência em relação ao pico da maré baixa; e retornar, no máximo, 1h30 após o nível mais baixo das águas. Juliana alerta sobre a importância de respeitar os horários, pois a água avança primeiro na parte mais próxima da praia. “Às vezes, o visitante está mais distante da margem e não percebe que a maré já está subindo. Por isso, é crucial voltar dentro do tempo adequado para evitar surpresas”, adverte a guia.

A formação do Caminho de Moisés está ligada à dinâmica natural do litoral. Bruno Ferreira, professor de geografia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e especialista em geomorfologia costeira, explica que o fenômeno é uma barra de areia que se estende da praia em direção ao mar. A presença de recifes na região é fundamental, pois eles atuam como barreiras que atenuam a força das ondas.

“Nas áreas protegidas pelos recifes, a energia das ondas diminui, permitindo que os sedimentos se acumulem e formem essas barras arenosas”, detalha Bruno. Essa estrutura de areia está presente continuamente, mas fica submersa durante a maré alta. Quando a maré recua, a areia volta à superfície, criando a ilusão de que o mar está se abrindo.

A fase da lua também desempenha um papel importante nesse fenômeno. A atração gravitacional da lua influencia as marés, e os melhores momentos para observar o Caminho de Moisés ocorrem durante as marés de sizígia, quando a variação do nível do mar é acentuada. “Durante esses ciclos, a maré pode atingir níveis muito baixos, permitindo que a barra de areia apareça completamente e ampliando o tempo de visitação”, esclarece o professor.

Entretanto, mesmo que o Caminho de Moisés pareça fixo, ele está constantemente mudando. Os bancos de areia são formados por processos dinâmicos e podem alterar seu formato rapidamente. A interferência humana, como a visitação descontrolada e a ocupação inadequada da faixa de praia, pode impactar negativamente essa formação natural. “O Caminho de Moisés pode continuar sendo um destino turístico encantador, mas sua preservação depende do respeito aos processos naturais e à proteção das áreas que fornecem a areia”, conclui Bruno.

Fonte: G1

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