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Dario Durigan critica proposta que confere autonomia ao Banco Central, alertando sobre riscos de um “novo Poder”

Durigan critica PEC que dá autonomia ao BC por criar “novo Poder"

Na última quarta-feira (17), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressou preocupações acerca da proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa garantir autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central (BC). A proposta, que foi aprovada recentemente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, levanta questionamentos sobre a possibilidade de criar “uma série de distorções” na contabilidade da instituição, além de afetar o processo de auditoria do BC.

Durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados, Durigan destacou: “É preciso fortalecer, sim, a instituição do Banco Central, assim como outras agências, sem que a gente tenha uma espécie de novo Poder da República, que pode mandar projeto de lei, que não se submete à auditoria da Controladoria-Geral da União [CGU]”. O ministro enfatizou a importância de manter a supervisão democrática sobre as instituições financeiras do país.

A proposta de emenda, conhecida como PEC 65 de 2023, será submetida a votação no plenário do Senado e estabelece a autonomia do BC em diversas áreas, incluindo administrativa e financeira. Essa autonomia seria dada sem a necessidade de vinculação a qualquer ministério ou órgão da Administração Pública, gerando receios sobre a fiscalização e a transparência das operações do BC.

Durigan afirmou que as alterações propostas podem enfraquecer a supervisão sobre o Banco Central e alertou: “Até, inclusive, para a proteção do Banco Central, que acho que tem que estar bastante dentro das regras do jogo”. Essa perspectiva reflete a preocupação com a independência da instituição e suas implicações sobre a economia nacional.

Além disso, a PEC permitirá que o BC retenha receitas próprias oriundas da senhoriagem, que atualmente são transferidas ao Tesouro Nacional. De acordo com dados, a receita da senhoriagem entre 2017 e 2025 foi de R$ 23,3 bilhões por ano, enquanto o orçamento do BC no mesmo período foi de R$ 4,8 bilhões anualmente. O governo teme que essa mudança resulte em perdas significativas para o Tesouro.

Um grupo de economistas brasileiros manifestou sua oposição à PEC, alegando que a proposta facilita a cooptação do Banco Central pelo setor financeiro, que é regulado pela própria autoridade monetária. O manifesto ressalta que a PEC cria uma “independência seletiva”, afastando o BC do controle democrático, mas mantendo sua vulnerabilidade às influências do mercado financeiro.

Em contraste, a proposta é apoiada pela diretoria do Banco Central e por instituições financeiras, que argumentam que a autonomia é necessária para que o BC possa desempenhar suas funções de forma eficaz. A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também se manifestaram favoravelmente à PEC, defendendo que a autonomia financeira é essencial para o fortalecimento da política monetária do país.

Fonte: Agência Brasil

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