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Ex-cabo da PM é sentenciado a 21 anos de prisão por sequestro e assassinato de sargento em Maceió

Ex-cabo da PM é condenado a 21 anos por sequestro e morte de sargento em Maceió

O ex-cabo da Polícia Militar, Gilmar Galvão, recebeu uma pena de 21 anos de reclusão, inicialmente em regime fechado, pela prática de sequestro e homicídio do sargento Osmário Dias Lima Júnior. O crime, que chocou a sociedade alagoana, ocorreu em 17 de dezembro de 1999, em Maceió. A sentença foi proferida pelo Tribunal do Júri na última sexta-feira (12), após dois dias de julgamento realizados no Fórum do Barro Duro.

Gilmar, que respondia ao processo em liberdade, teve sua pena determinada pelo juiz Geraldo Amorim, que decidiu que o réu cumprirá a pena em um presídio comum de segurança máxima, uma vez que foi expulso da corporação. “Se tivesse ido para a reserva ou reforma, iria para o presídio militar, mas como foi expulso, irá para um presídio comum. Longe dos demais presos, até porque, de qualquer forma, o senhor é um ex-policial militar”, explicou o magistrado ao proferir a condenação.

O julgamento ocorreu quase três décadas após o sequestro, que teve como testemunha a filha do sargento, Cinara, que na época tinha apenas quatro anos. Hoje advogada, ela atuou como assistente de acusação e fez um apelo emocionado aos jurados. “Eu converso com meu pai todos os dias. O réu tem uma filha da minha idade e gostaria de saber o que é ter um pai. Não me conforta estar aqui, porque meu pai não voltará”, declarou.

Cinara também relembrou o período difícil que enfrentou após a morte do pai, mencionando a escolta policial que teve por um longo tempo. “Eu tinha dois policiais 24 horas comigo para me proteger e eu pedia para eles brincarem comigo, porque eu não tinha meu pai”, afirmou, demonstrando a dor que a família sofreu com a perda.

O advogado assistente de acusação, Thiago Cavalcante, ressaltou o impacto do crime na vida da família. “Acompanhei os traumas dela, o medo de sair de casa, de ir ao cinema, a um shopping. Cresceu sofrendo. Ele matou a família toda”, disse ele, evidenciando o sofrimento que perdura até hoje.

Durante os debates, a promotora de Justiça, Adilza de Freitas, enfatizou a importância do papel dos jurados em trazer justiça. “Tirem o peso das costas. Se hoje estamos aqui é porque tem um culpado”, afirmou. Ela destacou que “o morto não tem advogado, não pode falar, chorar, apresentar a versão dos fatos”, reforçando a necessidade de responsabilização.

Além disso, a viúva do sargento, Nair, identificou Gilmar como o responsável pelo crime, descartando a participação de outros suspeitos. A defesa tentou postergar o julgamento em diversas ocasiões, sendo o último pedido feito em abril deste ano. Contudo, ao final, os jurados acolheram a tese do Ministério Público e decidiram pela condenação do ex-cabo.

Fonte: G1

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